Artigos - César Ayer

Ética, Indivíduo, Sociedade e Empresa: 12 princípios vitais


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1. A Ética é, antes de mais nada, a compreensão que cada um e cada uma de nós tem sobre as possibilidades, os limites, as restrições e as conveniências da ação humana individual e coletiva na convivência social e com a natureza.

2. Isso significa que a Ética é a “reflexão prévia” que dá sustentação à resposta pessoal e livre para as três grandes questões que devem anteceder qualquer ação: Quero? Devo? Posso? Há coisas que quero mas, não devo; outras, devo, mas não posso; outras ainda, posso, mas não quero, e assim por diante.

3. É preciso ressaltar: a Ética é uma dimensão exclusivamente humana, pois, por pressupor a capacidade de decisão, escolha, opção e julgamento, está na dependência direta da Liberdade.

4. Uma empresa é uma instituição presente em comunidades reais; nesse sentido, o modo como se comporta publica e privadamente afeta essa inserção e, com maior vigor, a consolidação de futuro que precisa ter.

5. Credibilidade é garantia de futuro, e uma empresa da qual se ausentem os valores da lealdade, honestidade, solidariedade e integridade pode, até, obter sucesso eventual; no entanto, tal trajetória se esboroa com o tempo.

6. Afinal, como escreveu Ary Barroso na canção Risque, “creia, toda quimera se esfuma / como a brancura da espuma / que se desmancha na areia”.

7. A Ética que se apóie no princípio do “fazemos qualquer negócio” é uma perspectiva deletéria, maléfica; o “jeitinho” não é sempre atitude exemplar de flexibilidade, e, muitas vezes, sinaliza mero descompromisso e atuação desregrada e utilitarista.

8. Porém, embora nos refiramos sempre ao “jeitinho” brasileiro, ele não é exclusividade da nossa nacionalidade; está presente em qualquer lugar e circunstância nas quais se fragilize o compromisso recíproco com a transparência no convívio.

9. Podemos, sim, aspirar e procurar em nosso país por uma sociedade mais eticamente verdadeira e moralmente sincera; basta, para tanto, colocar a esperança em foco; contudo, como dizia Paulo Freire, tem de ser esperança do verbo “esperançar”, porque tem gente que tem esperança do verbo “esperar” e, aí, não é esperança, mas, espera. Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir.

10. Há um movimento organizado, do qual fazem parte corporações sérias e nada cínicas, em direção a uma mudança significativa nos padrões de comportamento empresarial.

11. É, ainda, incipiente, sem deixar de ser importante; aumenta hoje o número de empresas que entende que a prática de uma Ética que eleve, proteja e preserve as comunidades nas quais se insere, é uma postura que precisa ir para além da cosmética, da fachada, da ostentação transitória.

12. Como lembravam com razão os latinos da Antiguidade, “nemo dat quod non habet”, isto é, “ninguém dá o que não tem”...




Mario Sergio Cortella

Filósofo e escritor, com Mestrado e Doutorado em Educação pela PUC-SP, da qual é professor-titular e na qual atuou de 1977 até 2012; é autor, entre outras obras, de Qual é a tua obra? (Vozes) e, com Clóvis de Barros Filhos, Ética e Vergonha na Cara! (Papirus)..



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