Turnover no Brasil: Sua empresa pode estar perdendo dinheiro!
05, Aug. 2025
Segundo levantamento divulgado pela consultoria Robert Half (CAGED), o Brasil registrou, no início de 2025, a maior taxa de turnover do mundo, com um aumento de 56% em comparação ao período pré-pandemia.
Por que as pessoas estão pedindo demissão?
Diversos fatores ajudam a entender esse cenário. Entre os principais apontamentos, identificados principalmente em entrevistas de desligamento (quando aplicadas), destacam-se:
- Falta de perspectiva de crescimento profissional;
- Ambientes organizacionais pouco acolhedores;
- Questões relacionadas à saúde mental e bem-estar;
- Salários e Benefícios pouco competitivos;
- Lideranças com comportamentos disfuncionais ou ausência de reconhecimento (aqui se concentra concentra um alerta importante: o papel da liderança na retenção tem sido decisivo para o bem ou para o mal.)
Os impactos do turnover
As consequências da rotatividade podem ser divididas entre diretas e indiretas.
Impactos diretos:
- Constantes processos de recrutamento e seleção;
- Incansáveis Treinamentos para integração e capacitação;
- Custos rescisórios.
Impactos indiretos:
- Queda na produtividade de equipes;
- Perda de capital intelectual;
- Clima organizacional comprometido;
- Influência nos indicadores como eNPS e pesquisa de clima;
- Risco de Percepção negativa por parte dos clientes, frente a queda da qualidade da mão de obra
- Expressões recorrentes como “mais um que saiu daquele setor” ou “sabe quem foi demitido pelo chefe?” alimentam a chamada “rádio-peão“, afetando diretamente a moral das equipes.

Há como reverter esse cenário do alto turnover?
Sim, é possível atuar de forma estratégica para reduzir a rotatividade e transformar esse desafio em uma oportunidade de fortalecimento organizacional.
Por onde começar?
- Entrevistas de desligamento (quando possível): Elas ajudam a mapear causas frequentes e identificar padrões de insatisfação. Importante considerar na minha visão, um mecanismo voluntário e conduzidas com escuta ativa.
- Acompanhamento de métricas como eNPS e Clima Organizacional: Essas ferramentas oferecem insights poderosos sobre a experiência dos colaboradores e o ambiente de trabalho.
- Reuniões periódicas com lideranças: Alinhar estratégias, compartilhar boas práticas e planejar ações conjuntas ajudam a disseminar o senso de corresponsabilidade pela retenção.
- Transparência com os colaboradores: Compartilhar os resultados das pesquisas e explicar os próximos passos, mesmo quando não há ações imediatas, reforça o compromisso da empresa com a melhoria contínua. Ignorar esse passo pode reforçar a ideia de que “a empresa pergunta, mas não faz nada depois”, gerando descrédito no processo
- Análise crítica das informações levantadas: Mais do que ouvir, é essencial agir com base nos resultados. Isso pode passar por alguns temas:
Revisão de políticas de remuneração e benefícios;
Desenvolvimento de lideranças;
Investimentos em T&D (Treinamento e Desenvolvimento);
Fortalecimento da comunicação interna.
Virar o jogo é possível e começa pelas pessoas!
Diminuir o turnover exige mais do que ajustar processos de RH. Requer uma mudança de cultura orientada ao cuidado, à escuta ativa e à valorização das pessoas.
E lembre-se sempre, o turnover faz parte do jogo corporativo, o que deve ser foco é estabelecer em que níveis é suportável ou considerado saudável para o negócio.
Os resultados?
Redução de custos, melhora na reputação empregadora e, quem sabe, almejar estar no rol das Melhores Empresas para se Trabalhar (Great Place To Work).
Adilson Silveira
É Bacharel em Ciências Contábeis pela Fundação Santo André, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas pela UNIFEI, com mais de 30 anos de vivência na Área de Recursos Humanos, atuou em empresas de diversos portes e segmentos, tais como Brasmetal Waelzholz, Universidade Bandeirante de Educação, Pertech do Brasil, Óticas Solarium e Grupo H.Olhos – Vision One SP.
Ex-Presidente do GAPER – Grupo de Administração, Pesquisa e Estudos de Remuneração e é Diretor de Negócios da AGERH, Associação da qual foi um dos Membros Fundadores.
Atualmente desenvolve a Prestação de Serviços com Excelência em Gestão para a Área de Recursos Humanos por sua Empresa – RHEQUINTE ou de forma Colaborativa com outros Associados, como a RM Empresarial e a RSVJ.