De Volta ao Palco da Vida
19, Jan. 2026
O cenário é o mesmo. O tempo passou. As histórias voltaram
ao palco.
PARTE II – QUANDO A MEMÓRIA VIROU
ENCONTRO
O tempo seguiu seu curso.
Mas aquela foto não ficou em silêncio.
Ela continuou ecoando dentro de mim, como uma lembrança que não aceita
ser apenas passado.
E, aos poucos, percebi que recordar não era suficiente.
Era preciso voltar.
Voltar aos lugares.
Voltar às pessoas.
Voltar às histórias.
E foi assim que, muitos anos depois, a memória decidiu se transformar em
encontro.
Chegamos a
2025!
E
não é que a foto voltou a fazer sentido?
Mas, antes de falar sobre ela, preciso contar algo muito importante que
aconteceu comigo.
Sou uma
pessoa saudosista. Sinto falta dos bons momentos e adoro reencontrar pessoas
que marcaram a minha história. Com muito esforço, tenho conseguido transformar
esses reencontros em realidade.
Vou tentar resumir tudo isso. Em um dos dias em que passei em
frente ao colégio 31 de março, hoje Escola Estadual Adamastor de Carvalho, vi
que ele finalmente estava sendo reformado. De repente, me peguei pensando o
quanto seria especial marcar um encontro ali, reunindo ex-professores e
ex-alunos.
Sabe aquele pensamento que vem, e vai embora. Pois é.… acabei
esquecendo.
Mas, em um outro dia, o mesmo amigo que tinha me enviado a foto compartilhou
um vídeo, uma entrevista com o professor Soldá, que foi meu professor de Física,
mas também lecionava Matemática. Eu me emocionei ao assistir. Aos 94 anos, ele
estava lúcido, cheio de vida, falando com carinho do colégio onde estudei e do
bairro onde ainda moro. Foi uma emoção enorme.
Pensei: “Preciso fazer algo. Mas o quê?”
Como trabalho com eventos na área de Recursos Humanos, imaginei convidá-lo para
uma palestra. Mas percebi que não era isso que eu queria.
Então entrei em contato com alguns amigos,
perguntando o que eles achavam, se tinham alguma ideia e se topariam ajudar.
Cogitamos fazer algo grandioso no Teatro Conchita de Moraes, mas a ideia não
avançou.
Até que, em uma conversa, alguém sugeriu: “Por que não no colégio?”
Sim… por que não? Na hora lembrei que já tinha pensado nisso antes. Só faltava
falar com a diretora da escola para saber se poderíamos realizar um evento de
reencontro entre ex-professores e ex-alunos. Sim, a diretora gostou da ideia.
Decidimos que não homenagearíamos apenas o professor Soldá, mas todos os
professores das décadas de 70 e 80 que conseguíssemos reencontrar, de volta para o palco da vida.
Assim nasceu o nosso evento.
Evento: De
Alunos a Mestres: Histórias que Conectam Gerações
Objetivo: Promover o reencontro de gerações que fizeram parte da história do
Colégio 31 de Março, celebrando memórias, compartilhando trajetórias e
refletindo sobre o impacto da educação na vida pessoal e profissional dos
participantes.
Com muito trabalho e a dedicação de vários amigos, conseguimos
realizar o evento. Reunimos quatro professores e mais de setenta ex-alunos.
Imagine a alegria de ver aqueles mestres e colegas juntos novamente, depois de
mais de cinquenta anos, e saber que pude contribuir para esse reencontro. Não é
para qualquer um
Foi uma verdadeira bênção estarmos ali outra
vez. Ver tantas pessoas emocionadas… não há preço que pague. Foi simplesmente
lindo.
Nunca imaginei que um dia realizaria um reencontro assim. E, sinceramente, não
acredito que tenha sido por acaso, era para acontecer.
E a foto voltou ao
palco...
Voltemos
à foto de 1972, tirada no Anfiteatro do Colégio 31 de Março.
Um dia antes do evento, me dei conta de que estaria no mesmo lugar de 53 anos
atrás, não mais como aluna, mas como uma das organizadoras de uma homenagem aos
professores e colegas daquela época. A emoção foi enorme, quase impossível de
Voltar ao mesmo palco depois de 53 anos não foi
apenas um reencontro físico.
Foi um encontro de tempos.
A aluna, a organizadora, os professores, os amigos, todos ali, coexistindo no
mesmo instante.
Naquele palco, percebi que a foto de 1972 não tinha
encerrado uma história.
Ela apenas aguardou o tempo certo para continuar.
E quando as pessoas começaram a falar, a emoção
deixou de ser só minha.
As memórias ganharam vozes.
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Sueli Alves é formada em Psicologia e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas. Com quase 40 anos de vivência na área de Recursos Humanos, Recrutamento, Seleção e Treinamento, atuou em empresas de diversos portes e segmentos. Foi coordenadora do grupo UNIRH - União de Recursos Humanos, por vinte e quatro anos. É Diretora Administrativa/Financeira da AGERH.