AGERH - FAZER MUITO NÃO SIGNIFICA FAZER MELHOR

FAZER MUITO NÃO SIGNIFICA FAZER MELHOR

10, Mar. 2026



Como disse Edson Marques: “Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade”. Gosto de acrescentar a esta frase que: “fazer muito, não significa fazer melhor” e, tenho conhecido,
ao longo de minha vida, muita gente que valoriza muito mais a quantidade do que a qualidade, aliás, muito mais a quantidade do que a entrega, o resultado que, no final das contas, fazendo um trocadilho, é o que conta.

  • Importa o quanto estou produzindo e não se, em função da quantidade excessiva, estou gerando muito retrabalho;
  • Importa o quanto estou escrevendo e não se o conteúdo é realmente útil;
  • Importa quantas horas estou ficando dentro da empresa e não se estou, de fato, fazendo boas entregas;
  • Importa quantas horas dedico a responder e-mails fora do horário de expediente e não se o que respondo é digno de ser considerado;
  • Importa quanto papel tenho sobre a mesa e não quanto papel deixo de precisar receber porque estou fazendo direito o que é preciso fazer;
  • Importa quantas horas estou diante do computador e não se o que estou fazendo tem a ver com o que eu, de fato, deveria fazer...

Há alguns anos, quando os meios de comunicação comuns eram jornais, revistas, rádio e TV, li um artigo sobre um tal Presidente mundial de uma grande multinacional, que havia delegado totalmente a gestão do negócio no Brasil ao presidente da unidade, que, portanto, poderia fazer tudo o que entendesse ser melhor para atingir os resultados estabelecidos em orçamento, desde que, garantisse questões legais, éticas e de valores da companhia.


Não sei dizer o que o tal presidente no Brasil realizou, só sei que a empresa continua muito bem, obrigada, mas, não vi ninguém trabalhando como louco,
correndo para lá e para cá, fazendo muito mais do que faziam, ou “dormindo” no emprego.

Uma amiga que lá trabalhava continuou tendo férias, usando o horário flexível que lá existia, fazendo academia, estudando, lendo e curtindo a família e, é claro, dando resultado – muito resultado, conforme estabelecido em seus objetivos, que eram claramente definidos e transparentes. 

Pareceu-me à época que, ninguém por lá trabalhou muito mais, mas sim, trabalhou muito melhor – usando muito bem as horas disponíveis, coisa que não sabemos muito bem fazer e, que, portanto, nos leva a sermos bem avaliados quando ficamos muitas horas à disposição da empresa para a qual trabalhamos.

Em minha primeira viagem ao exterior e a serviço, fui tomar um café e tentei iniciar uma conversa com duas pessoas que lá estavam, elas sorriram, pegaram seus cafés e voltaram às suas mesas de trabalho. Tentei mais um ou dois contatos como costumamos, nós, os latinos, fazer e não obtive bons resultados, mas, num dos dias, talvez por conta da forma como era recebido no Brasil, um colega me levou para um happy-hour num lindo espaço no alto de um prédio à beira-mar. Sentei-me e, como fazemos por aqui, comecei a falar sobre o meu dia, minhas reuniões, resultados dos contatos e... ele, como quem não estivesse ouvindo nada do que eu dizia, apontou para um grande barco dizendo: aquele é meu objetivo para os próximos três anos – quero juntar dinheiro para ter o meu barco e se pôs a falar de barcos, passeios, mar, e até da própria família, coisa não tão comum entre os americanos.



Ele tinha dedicado muito bem as horas de seu dia ao trabalho para não ter que continuar

fazendo o mesmo em pleno happy-hour – HAPPY-hour e não WORK-hour.


Voltei para São Paulo e não pude deixar de observar o quanto somos estimulados a mostrar quantidade e não qualidade ou resultado.

Bem que poderíamos adotar “boas práticas”, não?

Imagine seus funcionários podendo entrar e sair no horário, sabendo que ninguém da empresa o procurará durante o período destinado à sua vida pessoal.



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